quarta-feira, 2 de abril de 2014

ºªºªpin



Hoje eu quero colher chuva
e anotar os pingos bem devagarinho, nas margens do meu caderno
eu estou sem pressa
a pressa foi embora, estava atrasada, louca demais para me explicar porque precisava ir
confesso que não prestaria atenção, em dias assim minhas ideias gotejam e no espaço de tempo entre uma gota e outra acaba que cabe um devaneio de atmosfera
nesses espaços me perco, como se me descontinuasse sem cessar
fico pulando poças e se não me misturo com o reflexo do céu no chão é porque o ar me preenche os olhos da imaginação.
navego entre os espaços que se abrem no mar de guarda-chuvas, nem chego a pensar que podia ser mais colorido esse pedaço de teto que cada um segura com as mãos, gosto de como a chuva faz o colorido existente vir a tona, tudo fica mais nítido, a cor molhada tem esse jeito de lucidez de maçã do amor, um verniz intenso que não impede o deguste dos olhos.
tudo é mais lento quando chove e as luzes cintilam e vão formando aqueles desenhos com vida própria que mudam a cada passo, eu gosto quando chove porque posso ficar conversando comigo mesma sem sentir falta daquilo que se passa lá fora, quando chove não me sinto perdendo nenhum contato, nenhum convívio, nos dias que chovem gosto de chover junto.
E o melhor, quando chove eu não penso antes de adormecer, o barulho da chuva caindo me embala, como se me levasse no colo para o mundo dos sonhos, sem que perceba sou fisgada e só retorno a mim na próxima manhã, isto é se não chover, porque se chover tão cedo não volto pra casa.

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